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A barreira do idioma em processos de M&A: como preparar os executivos

Em operações internacionais de M&A, o inglês exige competências específicas para negociar, compreender informações e tomar decisões

Por

Rodrigo Chaves

Founder & CEO 

|

21 de outubro de 2026

Conhecidas no mercado pela sigla M&A, mergers and acquisitions, as fusões e aquisições, como são chamadas em português, são operações que envolvem negociações, diagnósticos contábeis, pareceres legais, relacionamento com acionistas, alinhamento organizacional, análise de fluxos e outras decisões que redefinem os rumos do negócio.

Quando a operação envolve empresas de diferentes países, existe mais um fator que atravessa grande parte desses estágios: a comunicação multilíngue. Para o RH, em especial, isso significa olhar para o domínio em inglês como um passo preliminar para os profissionais diretamente ligados a momentos delicados desse processo.

Em um processo de M&A, saber inglês significa participar ativamente de uma reunião ou compreender uma apresentação, mas não só. Em operações internacionais, as barreiras linguísticas e culturais podem trazer desafios não apenas à comunicação, mas à administração e à integração entre as organizações. 

Como o inglês executivo influencia as transações de M&A

Profissionais dando um aperto de mão sobre uma mesa cheia de documentos financeiros em inglês e um laptop com gráficos.

Em sua análise sobre operações internacionais de M&A, a Deloitte aborda a importância da governança, do alinhamento entre lideranças e da clareza nos processos de tomada de decisão. Quando essas interações envolvem profissionais de diferentes países, a comunicação em inglês pode se tornar um fator importante para conduzir discussões, esclarecer informações e alinhar expectativas ao longo da transação.

Nesse sentido, os executivos precisam ir além da compreensão do idioma; é necessário também: interpretar informações, questionar dados e premissas, defender posicionamentos, negociar cenários, alinhar expectativas, conduzir conversas e comunicar decisões — tudo isso sob forte pressão.

Portanto, ter um bom conhecimento do idioma não significa, necessariamente, estar preparado para as situações que um processo de fusão e aquisição exige. Um profissional pode compreender perfeitamente o conteúdo de uma apresentação financeira e, ao mesmo tempo, ter dificuldade para questionar ou solicitar esclarecimentos; pode dominar o vocabulário técnico e, apesar disso, não conseguir discordar, negociar ou comunicar uma decisão diante de uma proposta.

Para o RH, essas diferenças mostram que, além de trabalhar com uma classificação geral de nível, a avaliação da proficiência precisa considerar o contexto de atuação de cada profissional. Isso quer dizer que é preciso entender quais competências linguísticas já estão desenvolvidas, quais apresentam lacunas e, principalmente, quais gaps interferem nas responsabilidades. 

Esse diagnóstico é fundamental para estabelecer prioridades. Em operações com prazos e responsabilidades distintos, não é necessário que todos os profissionais desenvolvam as mesmas competências. Ao identificar o que exige maior urgência, o treinamento pode caminhar para situações que realmente impactam o desempenho individual.

Em operações nas quais prazos, responsabilidades e informações mudam rapidamente, a preparação precisa acompanhar o ritmo do negócio. Quanto mais específica for a situação enfrentada pelo executivo, maior a necessidade de que o treinamento esteja alinhado ao momento e às demandas da operação.

A barreira linguística vai além do vocabulário em processos de M&A

Em empresas que atuam internacionalmente, a proficiência em inglês é colocada à prova toda vez que o profissional precisa se comunicar com clareza, segurança e agilidade. 

No contexto das fusões e aquisições, o uso do business English exige atenção redobrada, pois pequenas nuances de interpretação podem gerar consequências relevantes. Executivos e equipes precisam estar preparados para utilizar o idioma em situações como:

  • apresentar e explicar dados financeiros, operacionais e estratégicos, além de riscos e resultados;
  • responder a perguntas de investidores e outros stakeholders, esclarecendo informações relevantes para a operação;
  • negociar valores, prazos, contratos, responsabilidades etc.;
  • compreender documentos, relatórios e apresentações e esclarecer informações durante processos de due diligence;
  • participar de reuniões, negociações e discussões com profissionais, parceiros e equipes de diferentes países;
  • comunicar mudanças organizacionais e conduzir conversas durante a integração, inclusive em situações que envolvam diferenças entre ambientes e culturas organizacionais.

Essas situações envolvem muito mais do que domínio linguístico. É preciso compreender rapidamente o que está sendo dito, identificar informações relevantes, organizar o raciocínio, perguntar, argumentar e adaptar a comunicação.

A insegurança com o idioma pode confundir a maneira como uma pessoa apresenta, defende ou compreende uma ideia, especialmente em situações de maior pressão.

A pressão característica de uma operação de fusão e aquisição pode afetar como um profissional se comunica. Mesmo alguém familiarizado com o inglês pode apresentar dificuldades ao ter que responder rapidamente, sustentar uma posição diante de questionamentos ou lidar com informações ainda em negociação. 

Além disso, dois colaboradores podem compartilhar o mesmo nível de competência e, ainda assim, apresentar desempenhos muito distintos na mesma situação. É preciso lembrar que a comunicação corporativa dificilmente segue um roteiro fechado. Por isso, um treinamento corporativo de inglês para executivos precisa ir além do previsível e considerar diferentes cenários, visando preparar os profissionais para as mais diversas situações.

Em quais etapas de M&A o inglês é mais importante?

Imagem de um aperto de mão profissional entre dois homens de terno em uma reunião referente a uma operação de M&A.

A exigência por uma comunicação em inglês pode aparecer em diversas fases: no primeiro contato ou na integração e colaboração entre equipes. Em cada uma dessas situações, as demandas conversacionais e as competências linguísticas variam.

1. Prospecção e primeiros contatos

Antes mesmo de uma negociação formal, os executivos se encontram em situações que exigem uma comunicação clara e adequada aos objetivos do negócio. Nesses casos, o profissional provavelmente terá que:

  • contextualizar sua atuação;
  • apresentar a empresa e sua estratégia;
  • descrever produtos, serviços e mercados;
  • explicar resultados e diferenciais competitivos;
  • falar sobre oportunidades de crescimento;
  • entender as necessidades e interesses da outra organização;
  • estabelecer as próximas etapas da conversa.

Ou seja, esse mesmo profissional deve saber como conduzir essa conversa e identificar possíveis caminhos para uma parceria. E, para que esse preparo seja realmente aplicável à rotina, é preciso considerar o contexto profissional e a área de atuação. Um executivo de Tecnologia, por exemplo, precisará de vocabulários diferentes daqueles exigidos de profissionais de RH, Finanças, Jurídico ou Engenharia.

2. Negociação

Na etapa de negociação, a precisão da comunicação corporativa é essencial para que os executivos demonstrem interesse, entendam limites, apresentem contrapropostas e estabeleçam acordos. Para atuar em reuniões, precisam dominar situações como pedir esclarecimentos, negociar prazos, definir responsabilidades, explicar limites e simplificar decisões. 

Quando o assunto é um acordo global, entender os detalhes linguísticos faz toda a diferença. Uma abertura para avaliar determinada condição não significa, necessariamente, que exista concordância com ela. Expressões como “we are willing to consider this option” e “we agree with this option” podem transmitir posições completamente diferentes, ainda que essa diferença pareça sutil. Enquanto a primeira indica disposição para avaliar a possibilidade, sem representar aceitação, a segunda comunica concordância de forma clara.

Para consolidar esse aprendizado prático, a metodologia do treinamento deve se basear em simulações de situações próximas à operação real. Nelas, os participantes trabalham com situações concretas e aprendem a reagir sob pressão. O feedback não se restringe à correção gramatical; ele também considera aspectos como clareza, objetividade, escuta ativa, adequação do tom e capacidade de conduzir a conversa.

3. Due diligence

A due diligence consiste no levantamento, na análise e na avaliação de informações relevantes sobre a empresa-alvo. De acordo com as características e os objetivos da operação, esse processo pode abranger temas financeiros, tributários, jurídicos, trabalhistas, ambientais, tecnológicos, comerciais e operacionais.

Embora os documentos formais sejam analisados por especialistas, os executivos também precisam participar desse processo — seja explicando decisões, respondendo a questionamentos ou coordenando as equipes.

Para o RH, essas discussões podem envolver estrutura organizacional, cargos e níveis hierárquicos, remuneração e benefícios, contratos, passivos trabalhistas, turnover, planos de sucessão, políticas internas, diversidade e inclusão, além de estratégias para retenção de talentos no período pós-operação.

Além dos termos técnicos, esses profissionais precisam encontrar informações, esclarecer incoerências e traduzir dados para diferentes interlocutores. A capacidade de síntese e a comunicação objetiva são particularmente importantes nesse contexto, já que as informações precisam ser compreendidas por profissionais com diferentes níveis de conhecimento sobre cada área.

A English for Business desenvolve programas a partir dos objetivos da empresa e das necessidades individuais, para áreas como Recursos Humanos, Finanças, Jurídico, Marketing e Tecnologia.

4. Apresentações para conselho, investidores e stakeholders

Durante um processo de M&A, a comunicação precisa se adaptar aos diferentes públicos envolvidos na transação. Conselheiros, investidores, acionistas, parceiros comerciais, fornecedores e colaboradores possuem interesses distintos, o que exige diferentes níveis de precisão e abordagens.

Uma apresentação para investidores, por exemplo, tende a priorizar objetividade, dados e informações relevantes para a tomada de decisão. Já a comunicação com colaboradores precisa ser clara e transparente, a fim de que considere dúvidas e preocupações sobre os possíveis impactos da operação.

O preparo não se encerra com o fim da apresentação. Em muitos casos, o maior desafio surge na rodada de perguntas. O executivo precisa interpretar rapidamente o que foi questionado, identificar a ideia central e responder com objetividade, mesmo quando ainda não dispõe de uma resposta definitiva.

Em situações de pressão, falar de maneira acelerada pode dificultar a compreensão da mensagem. Por isso, uma comunicação objetiva e adequada ao público é mais eficaz do que uma apresentação repleta de termos desnecessários.

5. Integração pós-aquisição

O fechamento de uma transação de M&A marca a união entre empresas, equipes, métodos, recursos e culturas organizacionais. Nesse momento, a comunicação assume um papel poderoso — especialmente porque colaboradores precisam lidar com mudanças e incertezas relacionadas à nova estrutura. Mensagens pouco claras ou interpretações equivocadas podem aumentar a insegurança e dificultar a adaptação.

Por isso, o desenvolvimento da comunicação em inglês também deve preparar os profissionais para situações mais sensíveis. Da mesma forma, é importante saber responder a questionamentos com responsabilidade, sem antecipar informações que ainda não foram definidas.

Como o RH pode preparar executivos para um processo de M&A

O RH ocupa uma posição importante em todo o processo de preparação dos executivos porque é ele quem vai conectar as necessidades do negócio às competências dos profissionais. Seu papel não é desenvolver o mesmo nível de proficiência em inglês para todos os colaboradores, mas identificar e priorizar funções, situações e competências mais relevantes para cada objetivo.

Diagnóstico por função e responsabilidade

O primeiro passo é compreender a operação, as funções e as principais situações de comunicação em inglês. Entrevistas, testes de proficiência, análise das atividades profissionais e simulações permitem identificar as necessidades de cada participante e direcionar o desenvolvimento das competências mais relevantes.

Também é importante considerar fatores como o prazo da operação, a disponibilidade dos profissionais, a necessidade de aulas individuais ou em grupo e o formato de treinamento mais adequado a cada perfil e objetivo.

O diagnóstico leva a uma personalização do programa que permite trabalhar situações mais próximas da realidade profissional dos participantes, evitando conteúdos distantes de suas responsabilidades e necessidades de comunicação. A English for Business atua com programas direcionados a diferentes áreas e níveis de liderança, incluindo workshops de liderança, negociação, comunicação intercultural e habilidades de negócios.

Grau de exposição

O grau de exposição ao inglês para negócios é um direcionador fundamental para o planejamento do treinamento e do desenvolvimento. Nem todos os executivos lidam com a mesma frequência com investidores, parceiros ou negociações globais. Garantir um treinamento sob medida para quem lidera as decisões internacionais e treinamentos direcionados para demandas eventuais permite ao RH otimizar investimentos — alocando recursos de forma inteligente e acolhendo todas as áreas. 

Comunicação intercultural

Uma operação internacional também exige atenção às diferenças nos estilos de comunicação e nas práticas profissionais. Além do domínio do inglês, os profissionais precisam saber interpretar o contexto, adaptar sua comunicação aos interlocutores e evitar estereótipos — ou generalizações — sobre diferentes culturas. Para entender melhor esse tema, confira nosso conteúdo sobre comunicação intercultural.

O treinamento intercultural não deve partir de estereótipos ou generalizações. O foco deve estar no desenvolvimento de flexibilidade e de consciência sobre diferentes formas de interação profissional. Entre os pontos que podem ser trabalhados, estão o grau de formalidade, o uso de títulos e a relação com a hierarquia, o ritmo das decisões, o espaço para perguntas, a importância atribuída ao relacionamento e as expectativas em relação à pontualidade e à objetividade.

Flexibilidade de agenda

Os processos de M&A alteram a rotina dos executivos. Diante disso, uma solução de treinamento corporativo precisa oferecer flexibilidade para acompanhar essas mudanças, sem comprometer a continuidade do programa. Ajustar a agenda às demandas da operação não significa abrir mão de uma estrutura consistente. 

Acompanhamento e indicadores

O RH precisa acompanhar a adesão e a evolução do programa sem abrir mão da privacidade dos participantes. Relatórios consolidados ajudam a acompanhar indicadores como frequência, participação, cumprimento de metas e progresso ao longo do programa.

Esse acompanhamento também permite identificar quando e quais ajustes são necessários. Se o conteúdo não estiver conectado à rotina da empresa, a agenda não funcionar para determinado grupo ou um executivo precisar de mais tempo para desenvolver determinada competência, o programa pode ser adaptado. Dessa forma, o desenvolvimento acompanha as necessidades do negócio e as demandas de cada grupo — e não o contrário.

Em M&A, falar inglês é apenas o começo

Em processos de M&A, o inglês faz parte de situações que exigem mais do que conhecimento do idioma. Executivos precisam interpretar informações, sustentar posições, conduzir conversas delicadas, negociar e responder a questões inesperadas, muitas vezes sob pressão.

Por isso, para o RH, a preparação deve partir das situações que cada profissional precisará enfrentar, considerando sua área, função, nível de responsabilidade e momento da operação. O foco deixa de estar apenas no nível de proficiência e passa para aquilo que cada profissional precisa ser capaz de fazer em inglês.

É com essa perspectiva que a English for Business desenvolve programas personalizados para empresas. A partir de um Needs Analysis, o treinamento é estruturado de acordo com as responsabilidades dos participantes e as situações reais de comunicação envolvidas em cada negócio. Reuniões, apresentações, negociações e interações com stakeholders podem ser trabalhadas por meio de práticas e simulações alinhadas ao contexto da operação.

O programa também conta com acompanhamento contínuo, incluindo uma gerente de sucesso para apoiar o RH na implementação e evolução da solução — mensurar resultados, recalibrar estratégias e garantir que o treinamento permaneça 100% alinhado aos objetivos do negócio. 

Além disso, nossos treinamentos podem ser realizados on-line ou presencialmente, com calendário adaptado à rotina da empresa e às diferentes etapas da operação.

Desde 2006, a English for Business atende empresas e profissionais de áreas como human resources, finance, legal, leadership, technology e negotiation, desenvolvendo soluções alinhadas aos objetivos de cada negócio.

Se sua empresa está passando por um processo de M&A ou se preparando para uma operação internacional, converse com a equipe da English for Business e leve o business English para a realidade multicultural da sua empresa.

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Reuniões, apresentações, negociações: seu inglês precisa acompanhar o ritmo da sua carreira.

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